Pandemia decreta trégua na devastação do meio ambiente

Pandemia decreta trégua na devastação do meio ambiente

A Pandemia do Corona Vírus trouxe uma verdadeira trégua na devastação do meio ambiente.

Foi só diminuirmos a quantidade de pessoas nas ruas que inúmeros animais silvestres foram vistos caminhando pelas cidades.

Além disso, a qualidade do ar melhorou com a diminuição da poluição dos carros e das indústrias.

Rios ficaram mais cristalinos sem os dejetos das empresas.

Golfinhos e peixes na baía da Guanabara no Rio de Janeiro correram o noticiário.

Afinal, sem humanos circulando, o trânsito estava livre para os bichos.

Manifestações da natureza

Outro dia, comecei a perceber sons de pássaros que vinham da janela. Apurei o ouvido e comecei a perceber os padrões diferentes no canto deles.

Maritaca camuflada em árvore
Maritaca camuflada – Criative Commons Pixabey

Curiosamente no dia seguinte, no mesmo horário (perto das 3 horas da tarde) o mesmo som. Por vários dias, notei que seguia a mesma sintonia pontual.

Comecei a escutar com mais atenção e ouvi outros sons que para mim eram estranhos.

Pensei: “ou agora com menos gente na rua, presto mais atenção no som dos pássaros ou eles agora cantam justamente por não se sentirem tão ameaçados”.

Cheguei a conclusão que poderiam ser as duas coisas.

Tenho a sensação de que durante o confinamento, o planeta respirou.

A humanidade destrói mais que uma explosão atômica

Há poucos dias vi um documentário que mostrava as imagens atuais da cidade de Pripyat na Ucrania, cerca de Chernobyl, que foi evacuada em 1986, depois da explosão atômica da usina.

Na época da explosão, viviam na cidade, cerca de 50 mil pessoas, que foram obrigadas a desocupar o local imediatamente sob risco de morte pela radiação.

Após o incidente o governo russo interditou um raio de 30 kms da usina, que ficou totalmente deshabitada.

No primeiro momento, a cidade ficou totalmente vazia.

Cidade de Prypiat sendo invadida pela floresta apos 30 anos de explosão atômica
Prypiat – Ucrânia – Creative Commons Flickr

Contudo, pouco a pouco a vida selvagem retornou ao local abandonado.

O ecologista da Universidade da Georgia, James Beasley tem estudado o retorno de animais silvestres na região.

Ele fotografou 14 tipos de mamíferos, entre eles, javalis, corças, alces, lobos e raposas circulando pelos arredores.

As plantas, por outro lado, foram pouco afetadas pela radiação e rapidamente adaptaram seu funcionamento celular para o novo ambiente contaminado.

Hoje a floresta tem invadido as avenidas e os prédios estão sendo cobertos pelo verde.

Aparentemente a intervenção humana foi mais destrutiva ao meio ambiente da região do que a explosão atômica.

Ou seja, mesmo com radiação, flora e fauna cresceram.

Por outro lado, durante a presença do homem alguns animais desapareceram, como o urso pardo, que voltou a ser visto no local recentemente.

Nosso poder de destruição da natureza impressiona!

Extinção das espécies

David Attenborough, naturalista britânico que faleceu recentemente aos 94 anos, dedicou mais de 60 anos ao estudo da vida selvagem.

David era um apaixonado por orangotangos e visitou Bornéu, uma das maiores ilhas da região da Indonésia pela primeira vez em 1956.

Nesta ocasião, a população de orangotangos era estimada em 175 mil indivíduos.

Perto de sua morte, David testemunhou a queda da população para 45 mil orangotangos.

Orangotango solitário na floresta de Borneu
Orangotango de Bornéu – Creative Commons – Pixabay

A ameaça vem da exploração da floresta, principalmente pela extração do óleo de palma.  

Em resumo, a mata encolheu na mesma proporção dos primatas.

Além dos orangotangos, inúmeros outros animais vem dia-a-dia tornando-se extintos no mundo todo devido a destruição de seu habitat.

Recentemente aqui no Brasil, o bioma do Pantanal sofreu com os incêndios que dizimaram inúmeros répteis, pássaros e mamíferos.

Vimos imagens devastadoras de animais mortos ou agonizando em um cenário cinza digno de filmes de apocalipse.

É triste.

Nossa ausência durante a Pandemia, nos mostra quanto mal fazemos ao planeta.

Há um velho ditado que diz que toda crise tem de ser vista também como uma oportunidade de melhoria.

Nosso curto isolamento (do ponto de vista do planeta) mostrou que a vida selvagem está sufocada pela nossa presença.

Podemos reverter

Basta nos retirarmos que a sábia natureza logo vai em busca de recuperação.

O confinamento tem nos mostrado isso!

Espero que muita gente tenha refletido sobre isso;

Que tenhamos coragem de mudar hábitos;

Que possamos cobrar medidas governamentais mais efetivas e protetivas para o meio ambiente;

E sobretudo, que despertemos!

Felizmente hoje temos muita gente discutindo alternativas de como podemos viver de maneira mais sustentável.

Energia limpa, uso consciente de água, proteção de reservas naturais, preservação das espécies, agricultura orgânica, diminuição do lixo…

São muitas coisas a serem feitas e sobretudo, como seres humanos, podemos fazer escolhas.

Escolher o caminho certo não depende apenas de um governo.

Realmente, depende de cada um de nós!

Nossas atitudes diárias têm de refletir nossa preocupação com a natureza.

Se não tomarmos medidas reais para recuperação do nosso planeta, vamos dizimar a espécie humana, seja por falta de água, de comida ou de ar puro.

Por outro lado, se tomarmos o caminho correto, podemos nos aliar a natureza respeitando sua sabedoria e sua superioridade sobre nós.

Viver de maneira responsável para que nossos descendentes possam encontrar um planeta equilibrado, onde a vida valha mais do que os interesses financeiros.

O planeta já demonstrou que não precisa dos seres humanos. Ele facilmente se restabcerá se nós desaparecermos…

Mas os seres humanos não podem dizer o mesmo da natureza.

Pense verde!

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