O jardim da vovó e as lembranças de infância

O jardim da vovó e as lembranças de infância

Passou por um local e de repente deu de cara com uma plantinha que te abriu um sorriso e te fez lembrar do jardim da vovó?

Eu já passei por isso diversas vezes.

Essa sensação de nostalgia gostosa e de felicidade é chamada de memória afetiva e desperta sentimentos que estavam gravados em nossa mente envolvidos pelo prazer do momento que ocorreram.

Isso acontece toda vez que revisitamos essa situação, seja por um olhar, um cheiro, uma música, um sabor ou qualquer outro recurso obtido pelos nossos sentidos que nos leva de volta a um passado.

O paladar abriga talvez ainda mais gatilhos de nossas lembranças de infância. Mas aqui estamos dedicando este espaço para as memórias de jardinagem deixadas pelas nossas avós.

E quem não teve uma avó, uma tia, uma mãe ou uma vizinha dedo verde que possuía um jardim, meio bagunçado e na desordem-ordenada cada plantinha tinha uma história, um motivo e uma característica própria?

DONA ETELVINA E SEU JARDIM MÁGICO

Eu lembro do jardim de uma vizinha: Dona Etelvina. Ela não era minha avó, mas ela tinha um jardim digno de vovó!

Era um quintal repleto de plantas. Algumas grandes e majestosas e outras medianas e algumas bem pequenininhas.

Na falta de tantos vasos, qualquer recipiente virava local de plantas: de potes de margarina, latinhas de alumínio ou latas de tintas vazias.

O importante era que cada plantinha tivesse espaço para crescer e ficar linda.

Lá convivia a dona samambaia com o imponente comigo-ninguém-pode, as doces margaridas com a protetora espada-de-são-jorge, a chiquérrima renda portuguesa com o orgulhoso antúrio

Roseira florida no jardim da vovó
Roseira – Foto Asad Nazir – Pexels

E claro, a rainha de todas as plantas, dona do pedaço e majestosa ROSEIRA!

Dessa forma, era uma festa de cores, texturas e formas.

E que talento tinha dona Etelvina! As plantinhas estavam sempre esplêndidas!

Aliás, o ritual era diário: lá pelas 6 da tarde, depois de todo o serviço da casa feito, lá ia ela para a uma poda aqui outra ali, uma troca de “vaso” para uma muda que tinha crescido muito e claro, a rega sagrada.

O local tinha tantas plantas que só de passar pelo corredor sentia-se a queda de uns 3 ou 4 graus na temperatura. A casa era sempre fresca e arejada.

Respirava-se vida naquele local!

O JARDIM DA MINHA AVÓ

Couve manteiga plantada em horta
Couve plantada em horta caseira

Também me lembro do jardim e da horta na casa de meus avós. Eles mudaram muito de casa, mas toda casa tinha de ter umas florzinhas na frente e uma horta nos fundos da casa.

Lá plantavam margaridas, rosas, mandioca, couve, alface, temperos e quando dava, tinha até pé-de-fruta.

Minha avó era do tipo que sempre tinha um “remédio plantado no jardim”. Dor de estomago: lá vinha ela com um suquinho de couve que curava o mal estar… Se não passasse, era chá de boldo… Melissa para acalmar e tantos outros.

Minhas férias eram sempre envolvidas neste ambiente e talvez minhas melhores lembranças venham de quando reuníamos os primos envolta de um balde (sim um balde!) de mangas que chupávamos debaixo da árvore.

Comi tanto que passei muitos anos sem poder sentir o cheiro de manga…

Já minha mãe, que trabalhava fora o dia todo não tinha tempo e nem jeito com plantas.

Mas um vaso era destaque em casa: o sapatinho de Nossa Senhora! Aquele vaso era o xodozinho dela. Não lembro de quem ela ganhou essa muda, mas esse vaso reinou em nossa casa por muitos anos!

Era uma festa quando se enchia de botões brancos!

Esta planta é tipo de orquídea de terra é bastante comum nos jardins das vovós.

MEMÓRIA AFETIVA

Casa amarela com jardim florido em frente.
Foto: Thgusstavo Santana – Pexels

Minha infância foi rica de contato com as plantas e sempre me traz esse prazer de relembrar esse tempo que tudo era mais simples e belo.

Segundo os psicólogos, é importante produzir esses elementos que irão gerar no futuro as memórias afetivas que garantirão nosso crescimento emocional saudável.

Como resultado, manteremos nossa história, lembranças vivas e fortalecemos nossos vínculos com pessoas que participaram de nossa vida em algum momento e que de alguma forma nos ajudaram a nos tornar quem somos hoje.

Acho que Dona Etelvina, morreu sem saber que marcou minha vida com suas plantinhas tão queridas! Sempre lembrarei dela com a imagem de guardiã daquele jardim de vovó!

Veja também nosso post: Os 5 sentidos estão presentes no seu jardim, desfrute-os!

6 comentários sobre “O jardim da vovó e as lembranças de infância

  1. Esse post, me remeteu a infância, com
    Minha querida e amada Vó. Tinha um pé que dava florzinhas amarelas na porta, que era minha adoração. Muitos vasos, vasinhos, canecas, chaleiras e todas floridas em banquinhos, em tijolos etc.
    Era uma decoração afetiva do vínculo entre avó e neta indissolúvel e sustentável como as plantas.

  2. Marli, que texto emocionante!
    Sorri e chorei com tantos detalhes que me remeteram a minha infância.
    Lembrei da minha vózinha que tinha uma “mão santa” com as plantinhas.
    Tudo o que ela plantava crescia e ficava viçoso era lindo de ver.
    Parabéns pelo texto nostálgico, emocionante e muito bem escrito.
    Estou ansiosa para ler os outros textos que virão.
    Bjos

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