Bromélias e Aedes Aegypti: rivais ou parcei rivais?

Bromélias e Aedes Aegypti: rivais ou parcei rivais?

Como em todas as campanhas contra o mosquito Aedes Aegypti que transmite a dengue, a zika e a febre chikungunya, as bromélias são sempre consideradas vilãs dos jardins.

Desta vez, com tanta pressão por parte dos países participantes das Olimpíadas, não poderia ser diferente.

Novamente, os agentes saem às ruas a caça de focos do mosquito.

Mas será que a relação de bromélias e Aedes Aegypti é mesmo tão perigosas para a proliferação destas doenças?

No Brasil possuímos mais de 1200 tipos de bromélias.

Há bromélias em todas as regiões brasileiras, mas as mais comuns estão na Mata Atlântica. Algumas espécies são terrestres, outras vivem nos troncos das árvores e nem todas acumulam água.

Diante dessa diversidade de espécies e com tanta beleza, as bromélias são muito utilizadas no paisagismo.

Frequentemente agentes da saúde condenam as espécies por acreditar que a água acumulada no tanque da planta pode gerar um criadouro para o mosquito da dengue.

Bromélia zebrada
O tanque das bromélias não é propício para o Aedes

Uma pesquisa realizada no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, pelo Instituto Oswaldo Cruz, monitorou mais de 150 espécies de bromélias durante um ano e chegou à  seguinte conclusão:

As bromélias não constituem um problema epidemiológico para propagação das doenças transmitidas pelo Aedes Aegypti.

Bromélias e Aedes não são compatíveis

Segundo os biólogos, foram apenas dois mosquitos foram encontrados durante todo o ano, quantidade considerada inexpressiva.

Ainda assim as duas únicas amostras do mosquito são de uma variedade do Aedes inofensiva para os seres humanos.

Ou seja, a pesquisa chegou a conclusão de que as bromélias e Aedes Aegypti não são compatíveis e por isso não são criadouros potenciais para as larvas do mosquito.

Além da pesquisa, biólogos e produtores brasileiros revelam que o líquido existente no interior das bromélias é composto de microrganismos e materiais de decomposição numa solução muito ácida.

Ou seja, é um ambiente hostil ao mosquito Aedes Aegypti que gosta de água limpa e alcalina.

Bromélia colorida
Cores espetaculares

Alguns dizem inclusive que os microorganismos existentes são repelentes naturais.

Devido a isso, a relação entre bromélias e Aedes Aegypti não é muito amistosa.

Amaldiçoadas em muitos jardins as bromélias têm grande importância ambiental.

Pela variedade e quantidade de espécies encontradas na mata se determina a preservação ou a degradação de uma área.

Ocorre que muitas pessoas fazem uma verdadeira caça as espécies, causando um desastre ambiental de grandes proporções.

Apesar do estudo e também de dados dos produtores comprovarem que as bromélias não oferecem risco à população,  agentes de saúde frequentemente alertam do perigo da dengue.

Por esse motivo, indico aqui algumas receitas caseiras que reforçam os cuidados, caso você ainda considere as bromélias um perigo.

Receitinhas caseiras inofensivas as bromélias que afastam definitivamente o Aedes Aegypti

  • Dica 1:

Dissolver 1 colher de sopa de vinagre em 1 litro de água e regar uma vez ao mês. Esta solução deixa o pH da planta ainda mais ácido Sem afetar o funcionamento biológico da planta:

  • Dica 2:

Diluir duas colheres de sopa de borra de café em um litro de água e regar a planta.

Vale ressaltar que as epidemias normalmente são ocasionadas por um desequilíbrio ambiental, neste caso, a invasão de um mosquito que veio da África durante o tráfico de escravos.

Ao chegar no Brasil, país úmido, com grandes precipitações de chuvas, o mosquito encontrou um ambiente ideal de reprodução.

Há anos as campanhas têm sido feitas, ainda que sem  solução efetiva para a epidemia.

Na verdade falta aos agentes sanitários mais conhecimento técnico.

Por este motivo eles saem eliminando indiscriminadamente as bromélias ou recomendando uso de alvejantes para “esterilizar” a água das plantas, o que acaba por desequilibrar seu funcionamento.

Enquanto olham para nossas plantinhas, esquecem terrenos baldios, casas fechadas, empresas falidas que acumulam lixo.

Sem considerar ainda falta de investimentos em pesquisas para eliminar de fato essas epidemias que a cada ano trás novos desdobramentos, como o que estamos vivendo com o zika e a microcefalia.

Enfim, a batalha é dura e temos de fazer nossa parte para combater os focos de reprodução do inseto e conscientizando nossa comunidade sobre o tema, mas, por favor, deixemos nossas bromélias viverem em paz!

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